A importância de um projeto bem resolvido na área corporativa transcende os aspectos normalmente analisados.

Existe uma tendência de se avaliar este tipo de projeto principalmente pelos aspectos funcionais e estéticos, quando estes fatores são apenas parte de uma solução que engloba muitos outros temas.

A compreensão clara da dinâmica da empresa e a fluência dos processos internos são fundamentais para que se estabeleça uma ocupação espacial adequada, garantindo agilidade e sinergia entre os departamentos.

Essa fase do projeto requer que os arquitetos sejam especializados no sentido de elaborar um diagnóstico claro a acurado da situação atual da empresa, entender os problemas no fluxo real e levantar os organogramas atuais e futuros com o objetivo de elaborar um zoneamento ideal.

A captura desse tipo de informação é muito importante e, via de regra, requer algumas entrevistas com os gestores das áreas para compreensão não só do fluxo dos processos, mas também das matrizes de relacionamento (sinergias) inter e intra departamentais.

Em função desse diagnóstico, elaborado a partir de todas as informações obtidas, a próxima etapa é a de alocação das áreas nos espaços disponíveis. O conceito a ser adotado nessa fase é também muito importante no objetivo de redução de custos.

Através do planejamento de ocupação é possível dimensionar e avaliar quais reduções de espaço são possíveis, sem entretanto reduzir a qualidade de trabalho. Um bom layout resulta em espaços bem aproveitados, significando economia das áreas e conseqüente redução de custos como aluguel, condomínio, manutenção, entre outros.

Também o conceito adotado para o projeto pode contribuir bastante na redução de custos operacionais. Um escritório aberto, sem salas fechadas (ou com poucas), além de ocupar menos área, permite um espaço mais flexível, de maneira que os ajustes que forem necessários ao longo do tempo sejam mais fáceis de fazer e portanto, com menor custo.

Quando se tem a possibilidade de elaborar um projeto voltado para o perfil levantado de uma empresa, uma das oportunidades de redução de custos está também na tecnologia a ser adotada para o projeto. A utilização máxima da iluminação natural, ou mesmo a especificação de luminárias de última geração (maior eficiência de iluminação, dimerizáveis eletronicamente de acordo com a incidência de luz natural) permite reduções significativas no consumo de energia.

Esse mesmo conceito se aplica a outros fatores, como o sistema de ar-condicionado ou mesmo o tipo de metais sanitários a ser utilizado (sensores eletrônicos, fechamento automático).

Outro fator que é importante de ser constatado e pode do projeto do projeto corporativo de interiores é o que diz respeito ao aumento de produtividade. Esse aumento comprovadamente pode ser advindo da própria situação dos grupos em uma distribuição que faça sentido, gerando mais sinergia e portanto facilitando as atividades operacionais. Também pode ser resultante do ambiente em si, que deve ser estimulante, proporcionar cenários diferenciados e ser bem resolvido em termos de ergonomia.

É sabido que os ambientes mais agradáveis geram efeito benéfico ao homem e hoje as áreas de recursos humanos têm claramente essa percepção.

Muitas vezes faz parte do briefing a criação de espaços de convívio, lazer e outras áreas voltadas para o bem-estar dos funcionários, que são espaços percebidos como um benefício adicional que determinadas empresas oferecem, o que, além de elevar a produtividade, funciona como fator de retenção de talentos.

Finalmente há que se mencionar o fator imagem. Encontra-se aqui um item muito importante porque essa “imagem” é o que as empresas transmitirão para o mercado, não só considerando o público externo (fornecedores, clientes), mas também a própria maneira dos funcionários perceberem o perfil da sua empresa.

Texto: Revista Arquitetura e construção – Ed.25 – Ano 07.